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__Apresentação |
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Artigos__ |
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| Muitos já compararam livros a bons amigos. Essa aproximação vale, na verdade, para qualquer texto que nos interessa, que nos toca, que nos aproxima de questões novas ou que nos reapresenta de forma renovada as inquietações antigas que trazemos dentro de nós. Mas trata-se, na verdade, de um tipo muito específico de amizade. Proust assim a descreve: "a leitura não pode ser assimilada a uma conversação, mesmo com o mais sábio dos homens; que a diferença essencial entre um livro e um amigo, não é a sua maior ou menor sabedoria, mas a maneira pela qual a gente se comunica com eles, a leitura, ao contrário da conversação, consistindo para cada um de nós em receber a comunicação de um outro pensamento, mas permanecendo sozinho, isto é, continuando a desfrutar do poder intelectual que se tem na solidão e que a conversação dissipa imediatamente, continuando a poder ser inspirado, a permanecer em pleno trabalho fecundo do espírito sobre si mesmo." Quando escreveu essas linhas, Proust pensava em grandes obras primas, principalmente, mas não exclusivamente, literárias. Ao invés disso, apresentamos aqui uma coletânea de artigos acadêmicos de graduandos em ciências sociais. Os leitores, por sua vez, são muito incertos, sobretudo por ser uma revista virtual. Isto torna o retorno para os autores, também impreciso. Para completar, vários dos artigos publicados em revistas como estas são escritos por pessoas com quem convivemos, ou seja, que vimos sendo gerados deste as escolhas de leituras, das dificuldades de escrita e dos dilemas dos trabalhos de campo. Pessoas com quem experimentamos constantemente a palavra falada, da qual, inclusive, é difícil nos despirmos totalmente quando lemos. Que tipo de conversação tudo isso caracteriza e qual, então, sua relevância? Volto a Proust. Para ele um belo texto é aquele que nos faz compreender o seu papel limitado e essencial, sobretudo, quando, aquilo que o autor chama de conclusões, são, para nós, incitações. "Sentimos muito bem que nossa sabedoria começa onde a do autor termina, e gostaríamos que ele nos desse respostas quando tudo o que ele pode fazer é dar-nos desejos". A importância dessa publicação é, nesse sentido, servir para estimularmos e desenvolvermos esses aspectos profundos da circulação de textos bem no nascedouro das carreiras profissionais. Nada mais verde do que o material que pode aqui ser encontrado, de autores que nem terminaram sua graduação. Por isso mesmo, a sua habilidade de despertar desejos é nascente. O perigo que ronda esses autores, no entanto, é grande: é turvar essa fonte com um produtivismo vazio que não visa outra coisa senão o mérito da própria publicação. É esquecer que as limitações de um bom texto são a condição de sua essência e que a sua principal função não é fornecer a palavra final, mas estimular a palavra seguinte. O necessário para tudo isso acontecer, é claro, é um ruidoso processo. Tivemos muitas dificuldades com conseguir pareceristas, com superar ausência de recursos financeiros, com nossa inexperiência e com a falta de tempo e clareza quanto às atividades nas quais depositar nosso empenho. Com todos esses percalços, registro aqui o imenso prazer que tenho no convívio com o grupo que colaborou com essa edição. De modo mais próximo, com a equipe editorial e com todos os colegas do PET. De modo mais distante, mas igualmente imprescindível, com todos os autores e pareceristas. Agradeço não o volume pronto, mas a disposição de todos, porque ela evidencia, nas falhas e excelências do produto acabado, a fraternidade da conversação intelectual que desejamos, que é o acesso ao ver e sentir de outros e a possibilidade de lhes dar prosseguimento. |
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Entrevistas__ |
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| Porto Alegre, julho 2011. | ||||||||
Caleb Faria Alves Membro do Comitê Editorial Revista Todavia revistatodavia@gmail.com |
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